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Eleitorado indefinido domina o cenário de 2026: entenda o que (não) dizem as pesquisas

  • gilbgna6
  • 25 de nov. de 2025
  • 7 min de leitura

Pesquisa, Eleição 2026, Comportamento do Eleitor

nov 24, 2025




Goiânia, 24/11/2025 - A compreensão do comportamento político do eleitor goiano exige, neste momento pré-eleitoral, a análise de indicadores que antecedem diretamente a intenção de voto. Entre esses indicadores, destaca-se a avaliação sobre a predisposição do eleitor a participar das eleições e o grau de definição do voto1. Esses elementos funcionam como variáveis estruturantes da dinâmica eleitoral e condicionam a interpretação de qualquer resultado de pesquisa divulgado antes do início oficial da campanha.


Aqui tem-se a análise do recorte específico de uma pesquisa quantitativa realizada pela GRUPOM Consultoria em Goiás entre 22 de outubro e 5 de novembro de 2025, cujo objetivo principal foi mapear a situação dos principais atores políticos para as eleições de 2026. A pesquisa utilizou abordagem quantitativa, com entrevistas presenciais e web, totalizando 3.179 entrevistas válidas em 103 municípios de todas as regiões do Estado de Goiás. O nível de confiança é de 95%, com erro máximo estimado de 2 pontos percentuais para o conjunto do estado.


Neste recorte, concentra-se a investigação sobre a intenção de participação e o grau de definição do voto, elementos fundamentais para estimar a maturidade das preferências eleitorais neste momento.


Sobre o perfil dos entrevistados


A amostra reflete de forma fiel a composição do eleitorado goiano. Há equilíbrio entre homens e mulheres, com leve predominância feminina, como ocorre no cadastro eleitoral. A distribuição etária é concentrada em adultos de 25 a 64 anos, núcleo mais numeroso e ativo do eleitorado, enquanto jovens até 24 anos aparecem em proporção menor, também coerente com a realidade estadual.


A escolaridade é majoritariamente de ensino médio, seguida por presença relevante de eleitores com ensino superior e participação menor de pessoas com ensino fundamental, padrão compatível com pesquisas híbridas e com o perfil educacional do estado. No campo religioso, predominam católicos e evangélicos, acompanhados de grupos menores de outras religiões e indivíduos sem religião, reproduzindo o cenário religioso goiano.


Regionalmente, a amostra distribui-se conforme o peso populacional: cerca de um terço na Região Metropolitana de Goiânia, participação proporcional no Entorno do Distrito Federal e aproximadamente metade no Interior. Esse conjunto assegura representatividade adequada e permite análises consistentes do comportamento eleitoral no estado


A não definição domina o eleitor goiano: metade ainda não sabe em quem votar para 2026


Um dos questionamentos da pesquisa e o seu resultado são:

“Considerando os seus sentimentos em relação à política brasileira e às eleições de 2026,

qual das frases abaixo melhor descreve a sua intenção de participar das próximas eleições?”2



Quem já definiu em quem irá votar


Já a definição de voto permanece baixa. Apenas 42,5% dos entrevistados afirmam já ter um candidato, com destaque para homens (52,4% dos homens), moradores do interior (46,7% do interior) e eleitores com ensino superior (56,8% do ensino superior). Esses grupos compõem o núcleo mais firme do eleitorado neste momento. Em contraste, o Entorno registra apenas 8,8% (do entorno) de voto definido e se mantém como a região mais volátil do estado.


Quem não sabe em quem votará


O dado central, no entanto, está na outra ponta: a não definição,

que atinge 50,5% da amostra.


E esse grupo tem rosto definido3. As mulheres concentram a maior parcela de não definidas, com 57,4% (das mulheres) nesse estágio. O ensino médio aparece como o maior contingente em números absolutos, e os jovens — embora pouco inclinados a se abster — são também os que menos definiram o voto: apenas 12,7% dos eleitores até 24 anos já escolheram um nome.


Quem não pretende votar


Os cruzamentos entre intenção de participar das eleições e perfil demográfico mostram que o eleitorado goiano chega a 2026 com baixa consolidação das escolhas e alto grau de incerteza.


Embora apenas 6,9% declarem que não pretendem votar, esse grupo se concentra em perfis muito específicos: mulheres, eleitores com baixa escolaridade e segmentos religiosos mais afastados da política institucional. São bolsões de distanciamento que ajudam a explicar a apatia em parte do estado.


Síntese e considerações em relação aos dados


Os dados mostram que o eleitorado goiano entra em 2026 sem definições consolidadas e com elevada liquidez eleitoral. Menos da metade já escolheu um candidato, enquanto a maioria permanece em observação, avaliando opções e adiando a decisão final. Esse predomínio da indefinição revela que, neste estágio, a visibilidade dos nomes pesa mais do que qualquer convicção consolidada.


A disputa, portanto, não será decidida pelos percentuais atuais das pesquisas, mas pela capacidade dos candidatos de dialogar com o grande contingente de indefinidos — especialmente mulheres, jovens e eleitores da região metropolitana e entorno de Brasília, que concentram o maior potencial de deslocamento. A abstenção declarada é pequena, mas aponta nichos de desalento político que também podem influenciar o resultado.


O conjunto das evidências indica um cenário totalmente aberto. As escolhas estão em construção e seguem sensíveis ao ambiente político, econômico e comunicacional dos próximos meses. Quem souber interpretar esse movimento com rigor e atuar sobre ele terá vantagem real na eleição de 2026.



Início da campanha eleitoral


A combinação dos resultados gerais com a análise dos cruzamentos permite afirmar, com clareza, que a fotografia eleitoral captada por este estudo revela um cenário ainda pouco consolidado e marcado por ampla indefinição entre segmentos centrais do eleitorado goiano.


Embora as pesquisas de intenção de voto realizadas no mesmo período apresentem números estáveis e metodologicamente confiáveis, o dado crítico apontado por esta investigação é que apenas uma parcela minoritária dos eleitores afirma já ter o voto definido. A maioria absoluta ainda está em processo de observação ou sequer iniciou um movimento efetivo de escolha.


Esse quadro implica que os percentuais divulgados hoje refletem sobretudo o efeito do estímulo da pesquisa, e não a convicção do eleitor. A chamada “intenção real” de voto dos candidatos é, portanto, significativamente inferior ao que se observa nas simulações estimuladas.


Como a massa de indefinidos é ampla e fortemente concentrada em segmentos que tradicionalmente decidem mais tarde – como mulheres, jovens, eleitores do ensino médio e moradores do Entorno – qualquer leitura absoluta das pesquisas neste momento incorre em superinterpretação.


Para políticos e pré-candidatos


O recado é inequívoco: o cenário de 2026 está aberto e dependerá menos do desempenho atual nas pesquisas e mais da capacidade de conquistar segmentos ainda desmobilizados ou indiferentes. A vantagem neste momento pertence aos nomes mais conhecidos, mas não necessariamente aos mais competitivos no longo prazo. A disputa será definida pela habilidade de dialogar com públicos pouco engajados, compreender suas motivações e conectar a comunicação eleitoral às experiências concretas desses grupos.


Para jornalistas e analistas políticos


O desafio é interpretar os números com a prudência que o momento exige. As pesquisas devem ser tratadas como indicadores de tendência, e não como previsões. O comportamento eleitoral continua em estado líquido, e uma parcela relevante da população sequer iniciou o processo de escolha. A cobertura, portanto, deve enfatizar a fluidez do cenário, evitando leituras deterministas.


Para marqueteiros e equipes de campanha


O estudo aponta a necessidade de uma estratégia segmentada e tecnicamente fundamentada. Não se trata apenas de ganhar visibilidade, mas de construir relevância entre os grupos mais indecisos. Mulheres exigem mensagens consistentes e menos polarizadas. Jovens demandam narrativas conectadas a futuro, oportunidade e identidade social. O Entorno requer comunicação territorializada, capaz de vencer a sensação de distância em relação ao centro político do estado. O ensino médio, maior contingente de eleitores indecisos, exige linguagem clara, direta e pautada em temas concretos.


Conclusão


A cada novo levantamento, fica mais evidente que a eleição de 2026 não será vencida pelo candidato que hoje aparece à frente nas pesquisas, mas por quem souber interpretar o que os números realmente significam. Em um cenário em que metade do eleitorado ainda não escolheu candidato, acreditar que as simulações atuais representam a “vontade consolidada” do goiano é mais comodidade do que análise. O eleitor está em movimento — e só quem entende como esse movimento ocorre consegue enxergar o que está por vir.


É justamente esse o ponto que tenho insistido: pesquisa não é previsão, é diagnóstico. E diagnóstico só tem valor quando é lido com rigor técnico, metodologia firme e experiência de campo. Desde 2006, convivendo diariamente com coleta, análise e interpretação de dados, aprendi que o desafio nunca é produzir números, mas compreender o que eles escondem — e, sobretudo, o que eles anunciam.


Meu trabalho, tanto à frente da GRUPOM Consultoria quanto na análise dos cenários eleitorais, sempre partiu da mesma premissa: números só servem se forem capazes de orientar decisões reais. E, para orientar decisões, precisam ser decifrados com método e responsabilidade. Esse tem sido o eixo central da minha atuação como analista, mestre em engenharia e pesquisador.


Ao longo das próximas semanas e meses, sigo aqui analisando o que os dados dizem — e, principalmente, o que ainda não estão dizendo. O ciclo eleitoral de 2026 será um teste de leitura fina do comportamento humano. Quem acompanhar esse movimento com atenção terá vantagem. Quem ignorar a incerteza permanecerá refém de ilusões estatísticas.



Este é um projeto de publicação semanal. Todas as imagens foram geradas por inteligência artificalTodos os gráficos e tabelas foram gerados pela GRUPOM Consultoria


Caso queira continuar esta conversa, deixe seu comentário. Eu ficarei muito feliz de compartilhar minhas ideias contigo e ouvir o que você tem a dizer.


Mario Rodrigues Neto Diretor Executivo da GRUPOM Consultoria EmpresarialEngenheiro de Produção (UFSC) e Mestre em Engenharia de Produção (UFRJ)mariorneto@grupom.com.br


  1. Eleitores definidos são aquels que declararam que irão votar e que já escolheram em qual nome pretedem votar.


  2. Nota metodológica: Importante notar que essa pergunta foi aplicada antes da apresentação de qualquer nome ou cenário eleitoral. Portanto, trata-se de um registro pré-estímulo, que captura a disposição espontânea do eleitor e o estágio real de consolidação das preferências. Esse aspecto metodológico permite evitar a interferência do recall dos candidatos testados e garante que os dados reflitam atitudes genuínas, não condicionadas pela simulação eleitoral.


  3. Eleitores indefinidos são aqueles declararam que irão votar, mas não ainda não definiram em qual nome pretendem votar.


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